22/03/2017


Referência no país, Observatório da Discriminação Racial no Futebol
vislumbra diálogo com clubes após selar parceria com ONG europeia

Vinícius Dias

Depois de constatar um aumento de 75% no número de denúncias de racismo no futebol brasileiro entre 2014 e 2015, o Observatório da Discriminação Racial no Futebol apresentará, nesta quarta-feira, uma cartilha educativa com orientações sobre o tema. "A iniciativa surgiu a partir das visitas em escolas e clubes de futebol, nas quais nos deparamos com diversos questionamentos de alunos, atletas e demais ouvintes de nossas palestras", destaca o diretor-executivo Marcelo Carvalho.


O lançamento da cartilha, intitulada Dimensões do Racismo, acontecerá no Seminário Internacional pela Igualdade Racial, em Porto Alegre. Realizado pela seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), o evento contará com quatro painéis temáticos no decorrer desta quarta-feira. "Atos racistas e atitudes preconceituosas representam um sério retrocesso às relações sociais. Acreditamos que não basta punir, precisamos educar", afirma Carvalho, que se apresentará no terceiro.

Marcelo Carvalho, em evento, com Tinga
(Créditos: Observatório da Discriminação/Arquivo)

Depois de fechar parcerias com a Universidade do Futebol e com a Fare Network - ONG que atua no combate à discriminação na Europa, inclusive realizando ações conjuntas com a Uefa -, o Observatório da Discriminação Racial no Futebol mira o diálogo com os clubes brasileiros. "A ideia é oferecer aos clubes a cartilha, mas não apenas isso. Queremos, por meio dela, oferecer palestras para as categorias de base", revela o diretor-executivo, que já iniciou conversas com o Grêmio.

Conscientização e apoio às vítimas

Ao longo de 20 páginas, a cartilha Dimensões do Racismo apresenta, de forma didática, conceitos relacionados ao racismo e a outras formas de discriminação, visando fomentar o debate. "São situações que se repetem não só nos estádios de futebol, mas no nosso dia a dia. Também destacamos as implicações legais a quem comete o crime de racismo ou injúria racial, orientações necessárias às vítimas e disponibilizamos uma lista de órgãos que prestam assistência e acolhimento", comenta Marcelo Carvalho.

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