26/07/2013


Relato inédito traz detalhes do dia em que Telê Santana
defendeu o arquirrival do 'clube do coração' em Itabirito

Vinícius Dias

Apontado como um dos técnicos mais talentosos de todos os tempos, o itabiritense Telê Santana, que hoje completaria 82 anos, também obteve destaque em sua curta carreira como jogador. O corpo franzino, que lhe rendeu o apelido de 'Fio de Esperança', foi também símbolo de um ponta-direita ágil e engenhoso. Talento que encantou Itabirito logo aos 16 anos. De forma até inusitada, mas que marcaria a trajetória de um dos maiores nomes do esporte.

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A revelação foi feita ao Blog Toque Di Letra por Renê Santana, filho do mestre. "Por natureza, eu sou curioso, gosto muito de história. A história do meu pai, principalmente, me interessa demais. E a gente vai ouvindo, sabendo dos episódios", fala. Foi assim, por acaso, hospedado na cidade durante carnaval nos anos 1990, que ele soube da passagem do pai pelo União Sport Club.

Década de 1940: Telê no Itabirense
(Créditos: Arquivo Pessoal/Renê Santana)

Antes, Telê havia atuado nos rivais Itabirense Esporte Clube, o clube do coração de sua família, e no Usina Esperança Futebol Clube. "Ele foi se destacando a tal ponto que teve uma partida importante do União, e os dirigentes quiseram que ele jogasse", pontua. "Fizeram um acordo com o Itabirense e o contrataram. Para colocá-lo na equipe, o treinador tirou o Edmundo, o centroavante", acrescenta. Foi o próprio Edmundo Mesquita quem contou a Renê.

Telê foi o destaque

"O técnico avisou a ele: 'olha, Edmundo, tem uns dirigentes que querem colocar um jogador (Telê Santana) aqui para jogar. E eu tenho que fazer isso'", fala o filho do mestre, citando o diálogo com o ex-companheiro do pai. Antevendo uma atuação discreta de Telê, o técnico ainda garantiu a participação do centroavante. "Ele joga um pouco e eu tiro. Você entra no lugar dele e joga o seu jogo". Foi o combinado tecido para atender ao desejo da diretoria.

'Mestre Telê' em visita à cidade natal
(Créditos: Arquivo Pessoal/Silvestre Martins)

O bom rendimento do jovem de 16 anos ao atuar no time profissional, no entanto, mudou o roteiro. A promessa não foi cumprida. Edmundo seguiu entre os reservas. "Ele ficou um pouco nervoso, mas, ao mesmo tempo, bem impressionado com aquele jogador, que estava surgindo na cidade", pontua Renê Santana. Um ano depois, Telê figurava entre os juvenis do Fluminense. O clube que defenderia durante 12 temporadas, acumulando nove conquistas.

Elogios de Silvestre

A memória de Telê Santana traz, ainda hoje, boas recordações para seu amigo Silvestre Martins Fernandes, de 80 anos. "Bendizer, fomos criados juntos e jogando futebol. Nos dias em que não havia treinos, ficávamos brincando de gol a gol", explica. "Adiante, nos separamos. Ele foi para o Fluminense, ficou lá bastante tempo. Depois, ele me ajudou, me chamou para o time juvenil. Foi um bom jogador, bom amigo, bom companheiro", conclui Silvestre.