03/11/2014


Em 30 de janeiro de 1973, em Governador Valadares, o craque
da Copa de 58 vestiu a camisa azul e brilhou ao lado de Evaldo

Vinícius Dias

Aquela seria uma das últimas vezes que Manuel Francisco dos Santos, o Garrincha, percorreria o caminho entre os vestiários e o gramado. O palco era o estádio Magalhães Pinto, atual Mamudão, em Governador Valadares, cidade que completava 35 anos naquele dia 30 de janeiro de 1973. Sob a camisa 7 da seleção, que várias vezes vestira entre 1955 e 1966, Mané trazia o manto celeste. Marcada por controvérsias, a passagem do craque bicampeão mundial pela Raposa durou 45 minutos. Tempo suficiente para ficar guardada na história.


"Garrincha conversou comigo e perguntou como ele jogaria. Eu respondi: 'da forma como você sempre joga, como você sabe'". São as palavras de Benecy Queiroz, técnico do Cruzeiro naquele dia. Conforme relata o atual supervisor de futebol celeste ao Blog Toque Di Letra, o ponta-direita, a princípio, defenderia o Democrata, time local. Porém, um desacerto com o treinador da Pantera mudou os rumos daquele amistoso. Aos 39 anos, o 'Mané' reforçou o time misto da Raposa.

Mané, à direita, com a camisa estrelada
(Créditos: Arquivo Pessoal/Luizinho Alves)

"Umas duas horas antes do jogo, nós fomos procurados pelo agente do Garrincha. O técnico do Democrata disse que não ia colocá-lo para jogar, porque ele não tinha treinado com a equipe", rememora Benecy. Quando questionado sobre a possibilidade de 'Mané', melhor jogador da Copa do Mundo de 1958, atuar pelo Cruzeiro, foi enfático. "Com prazer, Garrincha será nosso titular absoluto", respondeu Queiroz.

'Ele era atração', diz Evaldo

Principal nome daquela equipe mista da Raposa, o centroavante Evaldo se lembra, com orgulho, da inédita parceria com o avante das pernas tortas. "Mesmo fora de forma, ele era a atração. Garrincha não precisava nem de chutar a bola. Só de ele entrar em campo, já era uma festa". Ele não se contentou e foi decisivo. Antes de deixar o campo, fez dois cruzamentos que resultaram em dois gols de Evaldo, ambos de cabeça. O meia Aender fez o terceiro do jogo: 3 a 0.

Benecy, à esquerda: 45 anos de Cruzeiro
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Divulgação)

O aniversário era de Governador Valadares. A festa, no gramado, era de Garrincha, que, oficialmente, havia se despedido do futebol um ano antes, com a camisa do Olaria. Mas, Evaldo, uma espécie de convidado especial, jamais se esquecerá. "Foi um prazer. Pelo Fluminense, eu já havia jogado contra ele no Botafogo e sempre o admirei. Era um cara muito simples e dentro de campo era um fenômeno", diz. "Foi bom que ele ficou do nosso lado e virou história", completa.

'Partida que marcou a vida'

Sentimento partilhado por Benecy Queiroz, que, na época, era um jovem preparador físico. "Foi uma emoção enorme. Eu já conhecia o Garrincha e era fã, então foi uma ocorrência excepcional", conta o atual supervisor de futebol, que está há 45 anos no clube estrelado. "Fiquei felicíssimo com a oportunidade de ter sido treinador do Garrincha por um dia. E o Cruzeiro deu muita sorte de tê-lo nessa partida. Essa é uma daquelas coisas que marcam a vida de um profissional".

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