20/07/2017

O Atlético que cruza muito e pensa pouco

Vinícius Dias

Passe de Régis para Juninho, com tempo e espaço de sobra entre sete atleticanos, arrematar com precisão: 2 a 0 para o Bahia, estufando as redes de Victor aos 42' minutos da segunda etapa. Confirmada a quarta derrota do Atlético em oito partidas no Horto. Quinto pior mandante do Campeonato Brasileiro, sendo o terceiro que mais sofreu gols - apenas Vitória e Fluminense foram vazados mais vezes - e o quinto que menos balançou as redes em seus domínios. Retrato do insucesso de um time sem ideias.


O Atlético chega a julho dando vexame em casa - com apenas oito pontos em 24, precisa vencer todos os jogos restantes para não fechar esta edição com o pior mando de campo da era Horto. A falta de repertório é traduzida em números pelo Footstats. Contra o xará paranaense, tinha um a mais, cruzou 63 vezes, acertou apenas oito e perdeu. Diante do Santos, errou 44 dos 57 cruzamentos e caiu no fim. Nessa quarta-feira, depois de o Bahia abrir o placar, alçou 53 bolas, errou 44 e sofreu o segundo.

Fred passou em branco nessa quarta
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

O time de linhas defensivas próximas e construção ofensiva baseada em toques rápidos e triangulações, marca nos tempos de Grêmio, existe no discurso de Roger Machado. Em campo, exceto nos raros lampejos dessa proposta, o que o Atlético executa é o jogo dos cruzamentos. Com bolas levantadas a toda hora, de qualquer lugar do campo, é quem mais erra no fundamento, reafirmando a falta de ideias. Um elenco bom e caro, mas que não incomoda os adversários nem funciona.

O time que visava posse e organização ganhou nova identidade.
O Atlético de Roger, no sétimo mês, cruza muito e pensa pouco.

19/07/2017

Peruano entra em pauta no Atlético/PR

Vinícius Dias

Vice-artilheiro da seleção do Peru no ano passado, com quatro gols, Edison Flores entrou em pauta no Atlético/PR. Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, o meia-atacante foi oferecido ao Furacão por um emissário ligado a seu agente. A pouco mais de 24 horas do fechamento da janela internacional, as partes discutem a possibilidade de empréstimo com opção de compra junto ao Aalborg, da Dinamarca, atual clube do peruano.

Edison Flores foi oferecido ao Furacão
(Créditos: Federación Peruana/Reprodução)

Com contrato até junho de 2020, Orejas foi utilizado em apenas 20 das 38 partidas da temporada 2016/2017, marcando dois gols, e vê o retorno ao futebol sul-americano com bons olhos. O ex-camisa 10 do Universitário, do Peru, seria o quarto titular da seleção comandada por Ricardo Gareca a atuar no futebol brasileiro. Hoje, a lista tem Paolo Guerrero e Miguel Trauco, do Flamengo, além de Christian Cueva, do São Paulo.

18/07/2017


Lesionado em abril, no duelo com o Cruzeiro, lateral-direito revela
desespero, porém não teme recomeço do zero: 'Quero ser vencedor'

Vinícius Dias

No dia 09 de abril, Alan Silva subiu ao gramado do Mineirão ciente de que estava sendo monitorado por Atlético, Botafogo e Cruzeiro, adversário naquela manhã. "Meu pensamento era o melhor possível. Três grandes clubes do Brasil interessados em contar com meu futebol, não tinha sensação melhor. Com certeza, foi meu auge", relembra ao Blog Toque Di Letra. Aos 34 minutos da etapa inicial, no entanto, uma fisgada na coxa esquerda pôs fim à alegria do lateral-direito do Democrata de Governador Valadares.


Nesta terça-feira, Alan Silva completa 100 dias fora dos gramados. "No momento em que me lesionei, passou na minha cabeça o esforço para chegar àquela partida contra o Cruzeiro, fazer o meu melhor e definir a minha vida profissional. Foi um momento de muita tristeza, desespero e, para ser sincero, pensei que naquela oportunidade tudo tinha acabado", revela o camisa 2, que havia sido um dos destaques da Pantera nos confrontos contra Atlético, quando deu uma assistência, e América.

Alan Silva: 34 minutos no Mineirão
(Créditos: Washington Alves/Cruzeiro)

Desde então, a rotina de calçar o meião e as chuteiras para participar das atividades no CT deu lugar a exames a cada 15 dias, em média. "É a maior lesão que já tive, a primeira muscular em toda a carreira. Claro que é um drama. Eu estava prestes a mudar minha vida em todos os sentidos e, além de tudo, amo o que faço. É meu sonho desde criança e ficar esse tempo todo sem fazer o que você gosta é complicado", lamenta o lateral-direito, que já durante o tratamento chegou a ser alvo do Paysandu.

Com confiança para recomeçar

Focado na recuperação, Alan Silva destaca o apoio do Democrata, clube com o qual tinha contrato até a primeira quinzena de maio. "Desde o início do tratamento, nunca deixou de me apoiar". Com nova consulta marcada para a próxima sexta-feira, em Governador Valadares, o baiano ainda não tem data definida para voltar aos gramados. "O médico disse que não é uma lesão grave. Mas, da forma como ocorreu, é uma lesão demorada mesmo. Está dentro do prazo que ele deu", comenta.

Camisa 2 foi destaque contra o Atlético
(Créditos: Esporte Clube Democrata/Divulgação)

Nem mesmo a incerteza sobre os próximos passos minimiza os sonhos do lateral-direito, de 26 anos. "Futebol, sabemos como funciona, é imprevisível. Bem provável que eu tenha que recomeçar do zero. Mas não tenho medo. Vou fazer melhor do que neste ano caso eu venha a poder jogar só em 2018. O mercado que eu penso são os clubes grandes. Trabalho muito para que isso aconteça e quero ser vencedor", garante. "É só fazer tudo de novo e pedir a Deus que nenhum mal novamente aconteça".

17/07/2017

Evolução e lacunas no futebol do Cruzeiro

Vinícius Dias

Aos 14 minutos do segundo tempo, Sassá recebeu de Diogo Barbosa em profundidade e balançou as redes do Flamengo. Aos 27', usou a velocidade para superar a defesa rubro-negra, mas preferiu finalizar a servir Rafael Sóbis. A expectativa de virada terminou em tiro de meta: 1 a 1 no Mineirão, confirmando o melhor momento do Cruzeiro no Brasileirão, mas impedindo a sequência de três vitórias. Resultado que passa pelo camisa 99, mas começa no embate entre a evolução e as lacunas persistentes.


Entre o 4-3-2-1 e o 4-3-3, o time de Mano Menezes teve boa atuação contra o Palmeiras tendo menos posse, mas explorando as limitações da marcação por encaixe adotada por Cuca. Diante do Atlético/PR, o Cruzeiro ficou com a bola em menos de 40% do tempo, levou sustos no segundo tempo, mas confirmou o triunfo que teve início em um contra-ataque. Dois jogos em que a mobilidade de Alisson e o poder de criação de Thiago Neves, somados à eficiência no terço final, fizeram a diferença.

Sassá, o protagonista do lado celeste
(Créditos: Mauricio Farias/Light Press/Cruzeiro)

Nesse domingo, outra vez com um 4-2-3-1 que se transformava em 4-4-2 à medida que Thiago Neves avançava, o Cruzeiro teve como lacuna a transição. Na segunda linha, formada por Lucas Silva e Ariel Cabral, volantes de bom passe, mas que participavam pouco da destruição, o Flamengo encontrava espaços - improvisado na lateral, Romero foi quem mais desarmou no jogo. O rubro-negro pressionava a posse celeste, que recorria à bola longa, quase sempre interceptada antes de chegar ao ataque.

O Cruzeiro, em seu melhor momento, soma sete pontos de nove.
A série de triunfos, porém, esbarrou nas lacunas do meio-campo.

15/07/2017


Ex-Sport Boys, da Bolívia, jogador chegou a negociar com o Atlético
Tucumán; Cruzeiro tem a preferência e, agora, visa direitos fixados

Vinícius Dias

A palavra final sobre a situação de Ramón Ábila, artilheiro celeste nesta temporada, com 13 gols, deve ser dada na próxima semana. Com o presidente Daniel Angelici já tendo confirmado o interesse do Boca Juniors no camisa 9, a diretoria xeneize conversa com o Cruzeiro sobre o formato da transação. A tendência é de que até dois jogadores sejam cedidos à Raposa, que trata o meia Alexis Messidoro como primeira opção.

Messidoro: promessa da base xeneize
(Créditos: Boca Juniors/Departamento de Prensa)

Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, o principal trunfo do Cruzeiro para ter o argentino é o agente Adrián Ruocco, que também representa Ramón Ábila. Messidoro, de 20 anos, defendeu no primeiro semestre o Sport Boys, da Bolívia, e chegou a encaminhar um empréstimo ao Atlético Tucumán. Neste momento, porém, a preferência do Boca Juniors e do staff é pela Raposa, que deseja recebê-lo com direitos fixados.

Tratativas entre Boca e Huracán

Na negociação, o Boca Juniors ainda assumiria a dívida de US$ 1,5 milhão, cerca de R$ 4,8 milhões, referente à compra de 50% dos direitos econômicos de Wanchope pelo Cruzeiro, em junho do ano passado. Em relação ao Huracán, o atacante Nazareno Solís pode ser envolvido, conforme a reportagem antecipou na última terça-feira. Reserva em La Bombonera, o jovem é alvo da comissão técnica do Globo.

14/07/2017

Cruzeiro, tua torcida te ama como mãe

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

A torcida do Cruzeiro precisa ser uma mãe para esse time. Isso mesmo: uma mãe. Mas não aquela mãe que mima o filho e que faz tudo o que o primogênito quer, sem pensar se isso fará bem ao desenvolvimento dele ou não. A torcida precisa assumir o papel materno no sentido de fazer o possível para colocar o filho no caminho certo, no caminho ideal.


Sabe quando o menino chega para a mãe e diz "mas todo mundo foi mal", e ela, na hora, corta a onda do garoto dizendo "você não é todo mundo"? Então. Quando o time dá sinais de que vai se basear no desempenho dos outros para justificar seus próprios insucessos em determinadas situações, cabe a nós, torcida, chamar a atenção dizendo que o Cruzeiro não é outro. Cruzeiro, você é o Cruzeiro e não pode ter como parâmetro o vizinho ou o coleguinha de tabela. Não mesmo. A menos que a situação seja inversa.

Torcida comemora triunfo ante Palmeiras
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Ai do moleque se a mãe descobre que toda a turma foi bem na matéria, menos seu amado filho. Como assim? O que foi que o garoto fez durante a aula que não assimilou o conteúdo para, assim como os demais, fazer um bom teste? É isso que a torcida precisa cobrar, por mais contraditório que seja. Como é que o time consegue perder pontos bobos em casa contra equipes que são, com todo o respeito, saco de pancadas da competição?

Entre o orgulho e as cobranças

Quando o garoto se dá bem no teste e chega todo orgulhoso mostrando a prova, apesar do orgulho latente, é papel da mãe explicar à criança que aquilo é sua obrigação. Que enquanto ela e o pai trabalham e se esforçam para deixar a casa em ordem, o filho deve entender que o mínimo que ele precisa fazer é se esforçar para alcançar os resultados. Não que a mãe não possa parabenizá-lo pelas conquistas. Pelo contrário. O filho precisa ser valorizado e entender que a vitória dele significa a felicidade dos seus pais. O contrário é motivo de preocupação e, se necessário, bronca.

Cruzeiro bateu o Atlético/PR em Curitiba
(Créditos: Geraldo Bubniak/Light Press/Cruzeiro)

E tem algo que dê mais orgulho para uma mãe do que poder falar do filho para os outros? Assim tem que ser o assunto Cruzeiro quando um cruzeirense puder falar sobre o time. E é ainda mais gratificante para uma mãe quando ela pode falar bem do rebento, contar aquela vantagem marota quando está na rodinha com as outras mães. Contar as peripécias, a evolução, o quanto ela se orgulha dele e o quanto ele a respeita.

O amor da torcida pela Raposa

Cruzeiro, tua torcida te ama como uma mãe ama o filho. Entenda que toda a cobrança, todas as noites mal dormidas, as lágrimas e sorrisos são por sua causa. Queremos seu bem. Sua vitória é nossa vitória. Sua derrota é nossa derrota e, embora às vezes não pareça, elas doem mais na gente do que em você. Nós nunca iremos parar de te cobrar quando preciso e de te felicitar quando necessário. E o mais importante: sempre estaremos contigo. O que esperamos é esforço, inteligência, entrega e reciprocidade.

Dê a seu torcedor o mesmo valor que ele te dá. Pense nele cada vez que estiver em uma prova, em uma partida. Pense em todo o esforço que ele faz para estar nas arquibancadas do seu lado.

Força, Cruzeiro!

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

13/07/2017

O pior início do Atlético na era Horto

Vinícius Dias

A expectativa de arrancada se transformou em decepção para os atleticanos após a derrota para o Santos, nessa quarta-feira. Com apenas oito pontos somados em 21 possíveis na Arena Independência, o alvinegro faz o pior início de Campeonato Brasileiro em casa desde 2012, quando voltou a disputar seus jogos em Belo Horizonte. Hoje, é o quinto pior mandante, superando apenas o Atlético/PR e três dos integrantes do Z4.

No Horto, Santos derrotou o Atlético
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Já tendo desperdiçado 13 pontos, o time de Roger Machado precisará vencer 11 dos 12 jogos restantes em casa para não fechar esta edição com o pior mando da era Horto. Desde 2012, o Atlético perdeu, no máximo, 16 pontos em seus domínios. As piores campanhas aconteceram em 2014 e 2015, com 71,9% de aproveitamento. A melhor foi realizada em 2012, sob o comando de Cuca: terminou invicto e somou 82,5% dos pontos.


Time alviverde sofreu apenas 22 gols em 31 jogos na temporada e
deixou o campo sem ser vazado em sete das 13 rodadas da Série B

Vinícius Dias

A vitória por 2 a 0 diante do Boa Esporte, nessa terça-feira, na Arena Independência, manteve o América no G4 da Série B. Mais do que isso: o resultado positivo reafirmou a solidez do sistema defensivo alviverde. A equipe comandada por Enderson Moreira saiu de campo sem ser vazada pela sétima vez em 13 rodadas e, com apenas oito gols sofridos, divide com o Juventude a condição de melhor defesa da competição.


Ampliando a invencibilidade para sete rodadas, o Coelho chegou a 23 pontos, três a menos do que o time de Caxias do Sul, que está na liderança. "Era um jogo importante e difícil. Conseguimos uma grande vitória, com paciência, sofrendo pouco o assédio deles, o que é muito importante. Não houve nenhuma situação tão clara", destacou o treinador, satisfeito com a postura no confronto contra o Boa Esporte.

Time sofreu apenas oito gols na Série B
(Créditos: Carlos Cruz/América FC/Divulgação)

Titular absoluto, o goleiro João Ricardo não foi batido em 16 das 31 partidas disputadas nesta temporada. Com média de 0,71 gol sofrido por jogo, o alviverde tem o terceiro melhor desempenho defensivo entre os clubes que disputam a Série B. Apenas Paraná, vazado 24 vezes em 37 apresentações, com média de 0,65, e Ceará, que sofreu 21 gols em 33 duelos disputados, média de 0,64, têm números superiores.

Melhores defesas do ano - times da Série B:

Ceará - 21 gols sofridos em 33 partidas / média: 0,64
Paraná - 24 gols sofridos em 37 partidas / média: 0,65
América - 22 gols sofridos em 31 partidas / média: 0,71
CRB - 30 gols sofridos em 39 partidas / média: 0,77

Piores defesas do ano - times da Série B:

Náutico - 43 gols sofridos em 34 partidas / média: 1,26
Figueirense - 45 gols sofridos em 35 partidas / média: 1,29
Brasil de Pelotas - 35 gols sofridos em 27 partidas / média: 1,3
Criciúma - 54 gols sofridos em 38 partidas / média: 1,42

12/07/2017


Alvinegro teve início ruim como mandante na Série A e somou oito
pontos de 18 disputados; aproveitamento em casa no ano é de 83%

Vinícius Dias

Invicto há cinco rodadas, mas fora do G6 do Campeonato Brasileiro, o Atlético terá uma boa oportunidade de arrancada. A equipe comandada por Roger Machado fará três partidas em Belo Horizonte em 12 dias. A primeira delas será diante do Santos, na noite desta quarta-feira. No domingo, fora de casa, o adversário será o Atlético/GO. De volta ao Horto, receberá Bahia e Vasco, nos dias 19 e 23 de julho, respectivamente.


Valorizando a sequência positiva, com 11 pontos nos últimos 15 disputados, o volante Rafael Carioca apontou o caminho para o Atlético subir na tabela. "Não fugir das nossas características, que são altíssimo poder de finalização, volume de jogo e posse de bola, indo para cima, principalmente dentro de casa. Temos que tentar manter o nível nos dois tempos para conseguir uma boa sequência na Arena Independência".

Time alvinegro mira ascensão em casa
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

O alvinegro tem 83,3% de aproveitamento como mandante neste ano. Na Série A, porém, somou apenas 44,4% dos pontos disputados no Horto. A expectativa é de novos rumos a partir desta noite. "Vamos tentar conseguir o maior número possível. Temos que somar os nove pontos e também buscar uma vitória contra o Atlético/GO. Esses 12 pontos serão fundamentais para uma arrancada", destacou o zagueiro Gabriel.

Atlético como mandante - temporada:

Jogos disputados: 20 - 19 no Horto, um no Mineirão
Campanha: 16 vitórias, dois empates e duas derrotas
Aproveitamento: 83,3% dos pontos disputados
Gols marcados: 46 / Gols sofridos: 14

Atlético como mandante - Brasileirão:

Jogos disputados: seis - todas no Horto
Campanha: duas vitórias, dois empates e duas derrotas
Aproveitamento: 44,4% dos pontos disputados
Gols marcados: 9 / Gols sofridos: 8

11/07/2017


Condições de negociação com a Raposa são mantidas em sigilo por
argentinos; 'vamos avançando', comentou dirigente nessa segunda

Vinícius Dias*

Dias depois de Ramón Ábila se reunir com a diretoria do Cruzeiro e manifestar a insatisfação com a condição de reserva, o presidente do Boca Juniors confirmou o interesse na contratação do argentino. "Vamos avançando", disse Daniel Angelici, nessa segunda-feira, em entrevista à Fox Sports Argentina. O atacante é sonho antigo do clube xeneize, que chegou a tentar sua contratação antes da vinda para a Raposa.


Nos bastidores, fontes ligadas à cúpula celeste têm adotado tom de dúvida sobre o futuro do atleta. Artilheiro do elenco nesta temporada, com 13 gols, Ábila chegou a Belo Horizonte em junho de 2016. O Cruzeiro, que está em débito com o Huracán e foi acionado pelo clube na Fifa, ainda precisará pagar US$ 4 milhões, cerca de R$ 12,3 milhões, aos argentinos até o fim deste ano para garantir a permanência do camisa 9.

Ábila soma 13 gols na temporada
(Créditos: Washington Alves/Cruzeiro)

As condições de uma possível negociação entre Boca Juniors e Cruzeiro são mantidas em sigilo. Em relação ao Huracán, que detém 50% dos direitos econômicos de Wanchope, o atual campeão argentino tem como trunfo o atacante Nazareno Solís, de 23 anos. Reserva em La Bombonera, o camisa 17 é um dos alvos da comissão técnica do Globo para a próxima temporada e existe a possibilidade de empréstimo.

R$ 125 milhões em negociações

A saída de Ábila pode representar a primeira grande negociação da Raposa nesta temporada. Conforme o Blog Toque Di Letra revelou em abril, o orçamento apresentado pelo clube ao Conselho para 2017 prevê receita operacional bruta na faixa de R$ 381,9 milhões com o futebol profissional, tendo os repasses referentes a cessões, vendas e empréstimos de atletas como principal fonte: R$ 125 milhões.

*Com colaboração de Luciano Silveira

10/07/2017

Estoril exerce compra, e Allano renova

Vinícius Dias

Revelação das categorias de base do Cruzeiro, Allano permanecerá no futebol português por mais três temporadas. O meia-atacante, de 22 anos, estava emprestado desde janeiro pelo clube celeste ao Estoril, que exerceu, de forma antecipada, o direito de compra de parte de seus direitos econômicos. A renovação foi concretizada no último sábado.

Allano: mais três anos em Portugal
(Créditos: Estoril Praia/Divulgação)

Segundo o Blog Toque Di Letra apurou, os lusitanos investiram cerca de € 300 mil pelo camisa 95, que disputou 11 jogos e marcou um gol na última temporada. Sem confirmar valores, o diretor de comunicação do Cruzeiro, Guilherme Mendes, destacou que a Raposa segue com um percentual dos direitos de Allano. Antes da transação, o clube detinha 50%.


Em 32 anos, torneio apresentou vários nomes ao Brasil; lista tem
treinador do ouro olímpico e comandantes de América e Cruzeiro

Vinícius Dias

Começa nesta quarta-feira, com o duelo entre Cruzeiro e Novorizontino, a 33ª edição da Taça BH. Sub-20 até 2014 e atualmente considerada a principal competição sub-17 do país, o tradicional celeiro revelou centenas de talentos. A lista, que reúne jogadores de diversas gerações, chegando ao meia-atacante Vinícius Júnior, um dos artilheiros da última edição e recém-negociado com o Real Madrid, também conta com treinadores de sucesso.

Mano comandou gaúchos no torneio
(Créditos: Geraldo Bubniak/Cruzeiro)

Cinco vezes campeão brasileiro, Vanderlei Luxemburgo é um dos exemplos: o atual comandante do Sport dirigiu o Fluminense em uma das edições da Taça BH. Hoje no América, Enderson Moreira esteve à frente da equipe júnior do Cruzeiro, enquanto Mano Menezes já disputou o torneio por Juventude e Grêmio. Marcelo Oliveira participou pelo Atlético, clube ao qual retornou na última temporada para comandar o time principal.

Micale: do bi na Taça ao ouro olímpico
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Caminho semelhante aos de Guto Ferreira, hoje treinador do Internacional, que dirigiu equipes de base do São Paulo e do próprio Colorado na Taça BH, e de Ricardo Drubscky, ex-treinador do time júnior e atual diretor de futebol do América. Comandante da seleção brasileira na conquista do ouro olímpico, Rogério Micale também escreveu seu nome na história da competição: dois títulos pelo Atlético, em 2009 e 2011.

793 jovens talentos em campo

De acordo com levantamento da Federação Mineira de Futebol, 793 atletas sub-17 entrarão em campo neste ano. Os jovens serão acompanhados in loco pelos scoutings da CBF. Treinador da seleção sub-17, prestes a ser convocada para o Mundial da categoria, em outubro, na Índia, Carlos Amadeu tem presença confirmada em Minas Gerais. Curiosamente, o baiano foi vice-campeão da Taça BH, em 2013, pelo Vitória.

08/07/2017

Quero o Galo do clássico, não o da Bolívia!

André Castro*

Recentemente, o Atlético vem sendo uma montanha-russa de emoções. Em um momento, faz partidas exuberantes de se ver, vence e convence. Em outros, parece um time em que todos os atletas acabaram de se conhecer e ninguém entende muito bem como o jogo funciona. Até a derrota contra o Jorge Wilstermann, o Galo vinha de uma série de três vitórias, sendo duas pelo Brasileirão, contra Chapecoense e Cruzeiro, e outra pela Copa do Brasil, diante do Botafogo, adversário deste domingo.


O técnico Roger Machado vem tentando buscar a formação ideal da equipe, mas as lesões de jogadores como o zagueiro Leonardo Silva e o meia-atacante Luan, somadas ao elevado número de partidas decisivas em sequência, tem aumentado muito a dificuldade dessa tarefa.

Time venceu e convenceu no clássico
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

A defesa é o setor alvinegro que mais teve mudanças. Além do capitão, Marcos Rocha também está fora há algum tempo, assim como os reservas imediatos Carlos César e Felipe Santana. Nesse momento delicado, o treinador recorreu à prata da casa e, da medida quase desesperada, parece ter vindo a solução. Com um elenco com média de idade alta, a mescla entre experiência e a juventude da base serviu para dar o tempero que vinha faltando: bons nomes têm aparecido para os atleticanos.

Em campo, base corresponde

Jogadores como Alex Silva, Yago e Bremer vêm tendo oportunidades na equipe titular e correspondendo. Mais experiente dos três, o lateral-direito voltou de empréstimo ao América após as lesões das primeiras opções e tem agradado, se mostrando seguro nas partidas. Yago, após as críticas nas primeiras atuações, começa a mostrar regularidade e a agradar ao torcedor. Já Bremer entrou na fogueira e mostrou personalidade no clássico e na Libertadores, quando, apesar da derrota, foi bem.

Atlético derrapou na altitude boliviana
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

O Galo parece ter reencontrado o caminho certo, mas ele é longo e muito ainda precisa ser feito. Está provado que a mescla de jogadores pode render frutos dentro e fora de campo. Enfrentar a boa equipe do Botafogo, contudo, não será tarefa fácil e já tivemos uma prova disso na Copa do Brasil. A expectativa é de que o time de Roger Machado volte a surpreender fora de casa e faça bonito no Rio. Mas, para isso, é preciso que a montanha-russa atleticana esteja pronta para subir após a queda na Bolívia.

*Jornalista em formação. Apaixonado por futebol e cinema.
Camisa 8 do elenco e 12º jogador da seção Fala, Atleticano!

07/07/2017


Sextetos da Federação Mineira apareceram entre os três mais bem
avaliados em quatro das dez primeiras rodadas do torneio nacional

Vinícius Dias

Se Atlético e Cruzeiro ainda não convenceram no Brasileirão, Minas Gerais tem acumulado bons resultados quando o assunto é arbitragem. Equipes do quadro da Federação Mineira estiveram entre as três mais bem avaliadas pela CBF em quatro das dez primeiras rodadas. "A gestão Castellar incentiva a descoberta, dá estrutura para lapidação e respaldo aos árbitros", comenta Giulliano Bozzano, presidente da comissão de arbitragem da FMF.


Com metas em longo prazo, a entidade tem investido em cursos, tecnologia - incluindo a aquisição, por cerca de R$ 200 mil, dos rádios usados no estadual desde 2015, cujo modelo foi importado pela CBF neste ano - e capacitação física, técnica e psicológica. "Nossa psicóloga apresentará o trabalho de mestrado feito com os árbitros em congresso em Sevilla. A FMF abriu o espaço e o projeto está sendo reconhecido", exemplifica Bozzano.

Igor Benevenuto apitou final do Mineiro
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

A cada rodada, a CBF aponta os três melhores sextetos. Minas Gerais, ao lado de Rio de Janeiro e Goiás, é o segundo estado com mais indicações: quatro. São Paulo, com seis, lidera. Entre 20 equipes já listadas, destaque para a comandada por Igor Junio Benevenuto: três das quatro arbitragens apareceram entre as mais bem avaliadas. O sexteto encabeçado por Ricardo Marques Ribeiro ficou entre os três melhores na 7ª rodada.

Premiação no fim da temporada

Com base em um ranking elaborado a partir dos dados do sistema de análise de desempenho, a Comissão de Arbitragem da CBF vai premiar os melhores árbitros no fim da temporada. As notas atribuídas jogo a jogo consideram quesitos técnicos, como os critérios para marcação de faltas e aplicação de cartões; físicos, como posicionamento e velocidade de deslocamento; e mentais, como postura durante as partidas.

06/07/2017

Nilmar encaminha acerto com o Santos

Vinícius Dias

Em negociação com o Santos, Nilmar deve ter o retorno ao futebol brasileiro oficializado nesta sexta-feira. "Tudo muito encaminhado. Acho que fecharemos amanhã", revelou o agente Ismael Calegário ao Blog Toque Di Letra. A expectativa é de que o atacante assine contrato com o Peixe até o fim de 2018. "Ficou bom para as partes", emendou.

Nilmar: provável reforço do Santos
(Créditos: Al-Nasr/Facebook/Reprodução)

Alvo do Cruzeiro na temporada passada, antes das contratações de Ramón Ábila e Rafael Sóbis, Nilmar foi oferecido ao clube há duas semanas. Desta vez, no entanto, a diretoria celeste não chegou a abrir negociações com o staff do jogador, de 32 anos. Com a camisa do Al-Nasr, dos Emirados Árabes, foram 18 gols marcados em 39 partidas oficiais.

De Mancini a Mano: expectativa x realidade

Vinícius Dias

"Felizmente, as coisas estão andando até mais do que esperávamos", destacou Vagner Mancini, em 27 de maio, ao Blog Toque Di Letra. Dois dias depois, em meio ao simbolismo do sexto mês da tragédia na Colômbia, a Chapecoense venceu o Avaí por 2 a 0 e assumiu a liderança da Série A pela primeira vez na história. Passados mais 36 dias, o paulista foi demitido, engrossando as estatísticas de trocas de técnico. Oitavo trabalho interrompido em 11 rodadas, em um mercado de expectativas desmedidas e convicção condicionada aos resultados, não ao desempenho.


Vagner Mancini chegou a Chapecó no dia 9 de dezembro. Mais do que montar um time do zero, a missão era ser um dos protagonistas do processo de reconstrução de um clube que havia perdido seus ídolos. Com 50,7% de aproveitamento em 46 partidas, levou o Verdão ao inédito bicampeonato estadual, bons jogos na Libertadores e campanha na média até a 11ª rodada do Brasileirão - 14 pontos, contra os 11 somados em 2014, 16 em 2015, 15 em 2016. A queda foi o preço de um gol sofrido aos 47' e de ter permitido a quem virou modelo pelo longo prazo sonhar no presente.

Mano Menezes: modesto 13º lugar
(Créditos: Washington Alves/Cruzeiro)

No caminho oposto, o Cruzeiro também faz, neste início, um campeonato que não é seu. Com um dos cinco melhores e mais caros elencos do Brasil, Mano Menezes entrega o modesto 13º lugar. Se em 2015 e 2016 a permanência na elite foi suficiente, pouco resultado, escolhas contestáveis e raros lampejos de desempenho nesta temporada indicam que o segundo trabalho mais longevo da era Gilvan ainda não emplacou. Embora tardia, a cobrança feita nessa quarta-feira mostra que a diretoria deseja o time que pode ser e, de forma acertada, não está satisfeita com o que ainda não é.

Oito campeões em 14 anos, 11 rodadas e oito trocas de técnico.
Na Série A, o segredo é saber definir o tamanho da expectativa.