24/05/2017


Número de lesões musculares caiu 74,3% em relação à temporada
anterior; 'Brasil é referência mundial na área', afirma fisiologista

Vinícius Dias

O empate por 0 a 0 entre Paços Ferreira e Marítimo, no último sábado, teve sabor de vitória para Matheus Fontes. Mesmo não tendo entrado em campo em nenhuma das 34 rodadas do Campeonato Português, o belorizontino, de 33 anos, foi decisivo para que os Leões da Madeira voltassem a conquistar uma vaga na Liga Europa após cinco temporadas. Primeiro fisiologista da história do clube, o profissional agora colhe os frutos de um projeto inovador no futebol lusitano. "Trabalhar em Portugal tem sido uma experiência enriquecedora", destaca ao Blog Toque Di Letra.


Matheus Fontes chegou ao Marítimo no início da temporada 2016/2017, a convite de Paulo César Gusmão. "Acertamos que faríamos uma grande modernização no clube. Foi adquirido e implementado o sistema de GPS e termografia, trouxemos equipamentos de ponta. O Marítimo foi o único clube português a aplicar a termografia, além de criar um banco de dados sobre carga de treinamentos e demanda de jogos", revela. Após quatro derrotas em cinco rodadas, no entanto, o treinador foi demitido. "Com a chegada do Daniel Ramos, o objetivo era seguir na elite", emenda.

Matheus Fontes em jogo do Marítimo
(Créditos: Arquivo Pessoal/Matheus Fontes)

O sucesso foi além do sexto lugar, coroando a segunda melhor campanha na década. "De 35 lesões musculares na última temporada, tivemos nove neste ano", comemora o fisiologista. "Com o monitoramento sistemático e individualizado, foi possível estabelecer valores para diversos parâmetros. Quando um atleta apresentava desequilíbrio de carga, a comissão técnica era alertada, os dados cruzados e, consequentemente, o treinamento modificado ou retirado para evitar a lesão. Esse diálogo foi fundamental para que a incidência de lesões diminuísse".

Experiências em Brasil e Portugal

Os 12 meses no futebol português foram suficientes para Matheus Fontes notar diferenças em relação ao Brasil. "Em Portugal, discute-se muito o jogo, ações táticas, comportamento dos atletas nas fases de defesa, ataque e transições. Os padrões são analisados por treinadores e imprensa, mas o aspecto físico muitas vezes não é levado em consideração", detalha. "Entretanto, foi muito interessante perceber que, na ciência do esporte, existe uma lacuna grande. É um campo de atuação a ser desbravado. O Brasil é uma referência mundial nessa área".

Brasileiro implantou banco de dados
(Créditos: Arquivo Pessoal/Matheus Fontes)

No Marítimo, o fisiologista teve a oportunidade de trabalhar com um elenco formado por jogadores de 14 nacionalidades - ao longo da temporada, 13 brasileiros foram acionados. Número recorde em 11 anos de carreira, incluindo passagens pelas ligas chinesa e dos Emirados Árabes. "A experiência aqui me mostrou, principalmente, que no Brasil é preciso apenas um pouco de organização e maior diálogo entre os profissionais para voltarmos a ser referência", garante o belorizontino, que, no futebol nacional, trabalhou em clubes como Botafogo e Cruzeiro.

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