22/12/2013


No primeiro capítulo, atleticano registra, em 1ª pessoa, cenas
do embarque, em vôo de Kalil, à chegada em solo marroquino

Frederico Paco
De Marrakech, Marrocos

Saímos de Belo Horizonte prontos. Prontos para a exaustiva jornada de mais de 50 horas seguidas numa viagem sem o conforto de hotéis, seus menosprezados banheiros privados e sem as horas dormidas na cama. Prontos para a aventura, para o choque cultural e toda a experiência que esperávamos que o belo e exótico Marrocos nos proporcionaria. Prontos para a vitória, prontos para a glória, mas tementes ao Deus do futebol, que, sabemos, não perdoa aos arrogantes e prepotentes.

Em Marrakech: os ares do Mundial
(Créditos: Arquivo Pessoal/Thiago Bonna)

Afinal, que tipo de torcedor que realmente acompanhou o Bayern nesse passado recente, teria coragem de apostar contra a bela equipe de Pep Guardiola? Contudo, algo dentro de nós dava a certeza de que seríamos presenteados com o mais imponente troféu do planeta bola. Fosse pela consolidação do trabalho excepcional do mestre Cuca à frente do Galo, fosse por um Brasileiro consistente, e apontado por unanimidade como a melhor preparação para o Mundial, fosse pela vontade demonstrada pelos jogadores antes do torneio.


Mas não vou aqui lamentar a derrota e nem analisar a partida. Mas, sim, relatar a mais exótica jornada da minha vida. E o início não podia ter sido melhor. Tivemos como companheiros de voo a diretoria do Atlético e mais de 100 atleticanos fardados e preparados 'para a guerra'. Do saguão do Aeroporto de Confins até pousarmos em Lisboa, não teve um só instante de silêncio. Todos cantavam, bebiam e amontoavam-se para tirar fotos, agradecer, desejar sorte e conversar com Alexandre Kalil. O cenário não poderia ser melhor.

Cenário de filme, rumo ao Marrocos
(Créditos: Arquivo Pessoal/Frederico Paco)

Um fato importante, e que eu ainda não tinha trazido à tona, é que meu pai, nascido no Marrocos, deu um sentido ainda maior à nossa viagem, criando em mim o sentimento latente de retorno às origens. Exatamente por este fato, decidimos fugir do básico, seguindo de Lisboa a Marrakech por terra, ignorando a noite extremamente mal dormida, que tornaria bem mais exaustiva a viagem de 12 horas de ônibus da capital portuguesa à Algeciras, no extremo Sul da Espanha. De lá, duas horas de balsa para cruzar o Estreito de Gibraltar e, enfim, chegar à África. A desconhecida, fantástica e exótica terra-mãe.

Enfim, na casa alvinegra

Depois da tormenta, mais tempestade. Como se não bastasse a exaustão da jornada de 50 horas, assim que alugamos um carro para prosseguir de Tanger a Marrakech, um dos atleticanos de nossa pequena comitiva fora atacado por uma infecção intestinal, e ficou preso no quarto de hotel por dois dias seguidos. Enquanto isso, nós conhecíamos a singular cidade que receberia o Clube Atlético Mineiro durante sua mais nova experiência no exterior.

No Jamaa Elfna: 'de tudo um pouco'
(Créditos: Arquivo Pessoal/Frederico Paco)

A cidade não poderia ser mais fascinante e, garanto, não decepcionou a nenhum atleticano que realmente a tenha conhecido - não respondo por quem decidiu seguir guias os das pasteurizadas companhias de turismo. Nossa parada inicial foi no sensacional mercado de Jamaa Elfna. Ficamos encantados com a imensa variedade de produtos oferecida no local. Dos caramujos no vapor às cabeças de cabrito, destorcidas e expostas com crânio aberto para os interessados em apreciar o cérebro do bichano. De panos temáticos a tênis Nike em modelos falsificados, pode-se encontrar de tudo no Elfna.