21/12/2013


Zagueiro, de 1,92m, se emociona ao recordar o gol decisivo
marcado na final da Copa Libertadores: 'como se fosse hoje'

Vinícius Dias

A partida diante do Guangzhou Evergrande, neste sábado, no Marrocos, traz o fim de um ano especial. As memórias remetem ao dia 24 de julho. Quando o clima de drama já invadia o Mineirão, a bola alçada pelo jovem Bernard encontrou a testa de Leonardo Silva, antes de lentamente tocar as redes defendidas por Martín Silva. O gol, aos 41 minutos do segundo tempo da decisão contra o Olimpia, que manteve vivo o sonho da conquista da Libertadores 2013, foi, talvez, o momento mais importante da carreira do zagueiro, de 34 anos.

Léo Silva: herói à altura da história
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

"Fica a sensação de dever cumprido, de poder ter ajudado um clube tão importante, uma torcida maravilhosa", afirma, emocionado, ao se lembrar do lance. Personagem-chave das últimas duas temporadas, que valeram uma reviravolta na história do clube, de volta ao posto de protagonista, ele vive a melhor fase da carreira. "Espero dar continuidade", diz. 2013 se despede, traz novos sonhos e deixa uma certeza. Em dois-mil-e-Galo, Leonardo Silva foi forte e vingador!

O título do Atlético na Copa Libertadores foi cercado de heróis. O goleiro Victor, que defendeu, com o pé esquerdo, pênalti cobrado por Riascos. Guilherme, na vitória sobre o Newell's. E, claro, você. Lembrar do gol sobre o Olimpia, já nos minutos finais, te traz qual tipo de emoção?

Fica a sensação de dever cumprido, de poder ter ajudado um clube tão importante, (que tem) uma torcida maravilhosa. A mesma sensação de como se o jogo fosse hoje, de como se eu estivesse fazendo o gol hoje. Então, a emoção é a mesma, da lembrança de poder ter feito um gol tão importante.

Durante a trajetória da Libertadores, você viveu momentos muito distintos. Desde a lesão, que te fez desfalcar a equipe, àquele gol marcado na histórica final, e passa pelo pênalti cometido no duelo com o Tijuana. Qual foi a sua reação no momento em que o Victor fez aquela defesa?

A sensação de agradecimento, por ter feito uma defesa que nos manteve na competição. Uma sensação de alívio, de poder continuar na competição, de não ter sido responsável direto por uma eliminação. Não tive medo (de ser considerado culpado), mesmo sendo uma situação natural, tanto das pessoas, como da crítica, de todos. Eu estava, assim, não com medo, mas ciente da responsabilidade que isso poderia causar.

Você chegou ao Atlético, em 2011, no começo da gestão do Kalil. Naquele ano, os resultados ficaram aquém das expectativas - e o time lutou contra o rebaixamento. Em 2012, a conquista 'bateu na trave'. Qual foi a principal mudança, para que o clube chegasse ao título da Libertadores?

Foi uma fase de transição, onde saíram e chegaram muitos jogadores. Acho que desde o momento em que se manteve o elenco, uma base, um padrão na equipe que estava jogando, a gente começou a se conhecer, a se identificar. Cada atleta começou a conhecer o outro e a se identificar também com o esquema que o Cuca implantou, com a nossa maneira de jogar.

Então, acho que isso foi muito importante. De 2011 para 2012, mesmo a gente brigando para não cair, a base do grupo foi praticamente mantida. Chegaram alguns jogadores que reforçaram a equipe, então acho que isso foi importante para que a gente pudesse ter um padrão tático como equipe e conhecimento, para que pudéssemos fazer um bom ano.

É impossível citar as duas últimas temporadas, que significaram a reviravolta na história do Atlético, que voltou a brigar por grandes títulos e a contratar grandes nomes, sem falar em Leonardo Silva. Na sua visão, a passagem pelo clube traduz o melhor momento da sua carreira?

Sim. É uma continuidade. Eu venho em um bom momento desde 2008. E desde quando eu cheguei ao Atlético a minha carreira também deslanchou. Então, acho que eu devo muito ao Atlético pelo apoio que me deu, por ter me recebido tão bem, por ter me dado a estrutura para poder trabalhar e mostrar o meu trabalho dentro de campo. Então, eu vivo, sim, o melhor momento da minha carreira nesses três anos. E espero dar continuidade.

Se você pudesse apontar um personagem, o principal responsável pelo bom momento do Atlético, qual seria?

É difícil. Porque, como você disse no início, é um grupo em que vários se destacaram. Claro que desde a chegada do Ronaldinho muita coisa mudou no Atlético Mineiro, tanto o reconhecimento da crítica, como dos torcedores. Mas eu acredito que o nosso grupo, em geral, desde o presidente, o jogador que menos joga, ao porteiro, todos têm uma parcela de contribuição para esse momento.

Então, acredito que ao dar apenas um nome eu serei injusto com os demais. Eu posso deixar de falar de alguém que também foi importante lá no começo, para que a gente pudesse chegar a uma vitória, a uma conquista. Então, em minha opinião, o grupo todo, em geral, foi o grande destaque dessa temporada do Atlético Mineiro.

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