13/01/2018

O Galo entre a confiança e o fim da obrigação

Alisson Millo*

O ano mal começou e o Atlético já está sob pressão. No primeiro dia de trabalho de 2018, um grupo de torcedores foi até a porta da Cidade do Galo cobrar dos jogadores, tentar fazer pressão psicológica do tipo 'ou joga por amor ou joga por terror', com faixas que, entre outras coisas, colocavam a conquista do Brasileirão como obrigação. Aparentemente, as resoluções de mais apoio e menos corneta ficaram restritas a este colunista.


A cobrança é exagerada e, no momento, infundada. Claro que os resultados em 2017 não agradaram, mas foi ano passado, com outras caras, outros treinadores, outra direção. Com Sette Câmara, o trabalho parece seguir caminho diferente de Kalil e Nepomuceno. O novo presidente fala em austeridade financeira, com menos gastos e, ainda assim, o Atlético já conta com seis reforços. Ficou para trás a era dos medalhões caros, que pouco entregaram na última temporada: o teto salarial está mais baixo e o elenco formado sugere um time mais 'operário'.

Ricardo Oliveira: símbolo do novo Galo
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

O destaque, com certeza, é Ricardo Oliveira, que chega para substituir à altura o último centroavante que tivemos, com vencimentos bem menores e um currículo tão vitorioso quanto. Mesmo com seus 37 anos, o camisa 9 esbanja vigor físico e impressionou nas férias com seus vídeos se preparando para voar em 2018. Outro veterano que pretende voar neste ano é o volante Arouca. Chegou sob desconfiança por ter atuado pouco no ano passado, mas tem a confiança de Oswaldo de Oliveira e já deixou claro que vai provar que merece a titularidade com muito trabalho.

Que 2018 seja o ano de Cazares

Quem também parece ter o apoio do treinador é Cazares. Dono de uma qualidade inquestionável, o camisa 10 virou companheiro de concentração de Ricardo Oliveira. A esperança é de que o pastor ajude o equatoriano a reviver seus melhores dias. Tudo começou como meme, se transformou em verdade e incomodou Cazares um pouco, o que é um sinal de que, pelo menos, ele se preocupa com a carreira. Jogando em sua posição de origem, como enganche, focado e entrosado com um atacante goleador, 2018 pode ser, enfim, a temporada da redenção do meia atleticano.

Cazares: talento a serviço do Atlético
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Otimismo exagerado de início de temporada? Talvez, mas não vamos cobrar explicações e atitudes de quem ainda sequer pôde se apresentar. Vamos apoiar, vamos torcer pelo time, não pelas competições, quem sabe assim as conquistas voltem. O caminho é longo, mas, juntos, conseguiremos empurrar o time para frente. Os resultados serão consequência e as vitórias sairão mais naturalmente do que sob ordens e obrigações.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!

Um comentário:

  1. Queria que o Cazares queimasse minha língua mas não confio nele como referência no time. Na verdade nesses dois anos de Atlético ele nunca foi decisivo.

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